HISTÓRIA DA NOSSA TERRA


P.ª José Carreira
e Prof. José Gaspar.

       !.º

No sentido de dar satisfação à curiosidade dos que se prezam de pertencer a esta humilde Terra, resolvemos criar esta secção onde  pudéssemos, na realialidade do possível corresponder à avidez que sentem por conhecer alguma coisa a cerca do passado remoto deste  torrão que ora constitui o berço da nossa muito amada paróquia..
Perde-se na neblina dos tempos a existência destes povos de Santa Eufêmia e a sua vida religiosa.
  Que dizer ao chegar a saber do seu Lapedo tão belo e cheio de riquezas naturais?! E de a acção civilizadora que os romanos aqui teriam desenvolvido acerca de 1500 anos e cuja actividade metalúrgica são atribuidas as escorias ( borra de ferro) que ainda hoje se encontram em grande abundância no Escoiral?!
  Com condições de vida que  perto fizeram viver os frades crúseos na ainda conhecida e chamada Quintas dos Frades, bem podemos concluir que nesta Ribeira do Sirol com o seu afluente do Liz, fértil, leda e grande; houvesse de se construir uma capela para sua devoção.
  Depois de procurarmos decomentos em que nos pudéssemos basear, encontrámos algumas publicações que nos falam concretamente da zona que nos cerca. Dente essas, temos principalmente o livro chamado" Couzeiro ou Memórias do Bispo de Leiria" editado há mais de trezentos anos,que nos esclarece acerca da história religiosa de toda a região  leiriense e portanto  também da nossa área do Sirol. Apresentaremos, pois, um resumo histórico mais no aspecto religioso do que no aspecto civil, politico ou económico.
Claro que, recuando a um passado bastante longínquo, não podemos isoladamente da nossa freguesia visto que só há poucos anos passou a constituir de facto uma unidade individual.
  Teremos antes de considerar uma região muito mais vasta para compreendermos perfeitamente o papel,  importãncia e significado que esta parcela do território nacional representou ao longo dos tempos.
Logo após a fundação e Portugal, D.Afonso Henriques reconquistou Leiria aos Mouros elevando-a à categoria de cidade e, para remissão dos seus pecados, doou-a aos Cónegos do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra para eles admistrarem, bem como uma área bastante grande á sua volta compreendendo as freguesias hoje vizinhas da cidade. À frente ficou um Prior Mor e em breve surgem as freguesias de nossa Senhora da Pena, S. Estevão,S. Pedro S. António do Carascal,S Martinho, S Tiagodo Arrabal da Ponte etc, todas dependentes do Mosteiro de Santa Cruz de Coimbra. As freguesias vizinhas do lado nascente pertenciam ao Bispado de Coimbra e as do lado Sul ao bispado de Lisboa.
  Poder-se-á agora perguntar: a qual daquelas freguesias teria pertencido nesses tempos a terra que hoje pisamos? Sem dúvida, podemos afirmar que pertenceu a várias freguesias. Primeiro com certeza teria pertencdo à de Santo António do  Carrascal que então compreendia a maior parte da que foi mais tarde Pousos e cuja igreja estava situada junto a calçada dos Pousos, pois, diz-nos o Couzeiro que, junto ao rio, foi construída uma calçada para serventia dessa igreja.
  Como, porém esta foi demolida e existia paróquia, os povos que a ela pertenciam passavam-se para a freguesia de Santo Estêvão que tinha como sede uma igreja  que ficava um pouco fora da cidade. Mas aconteceu que também esta igreja foi destruída, passando desde então a parte que hoje forma principalmente a nossa freguesia e a dos Pousos para a freguesia de S. Pedro de Leiria, cuja igreja fora edificada no século X111 e que ainda hoje existe encravada nas actuais instalações do Regimento de Artilharia Ligeira Nª 4, com missa dominical.
Isto tudo teria acontecido durante o período que vai desde  a fundação de Portugal até a criação da diocese de Leiria. Entretanto foram constríidas as capelas de Santa Eufemia, junto a Quinta de Fernão Roiz Barba, e a de Santa Marta acima do Souto de Baixo que são das mais antigas desta área com carácter público.
  Porém, a capela de Santa Marta a que nos estamos a referir não é a que nos estamos a referir não é a que hoje existe no Casal Capitão, mas uma outra que existiu num local por cima do Souto de Baixo e que ainda hoje se chama Santa Marta onde até tem sido encontrados ossos humanos. mas como essa capela  desaparecesse, aconteceu que Capitão  Gouveia mandou construir a actual ermida em sua substituição  numa quinta ou casal que possuía ao fundo do Souto de Baixo. Do seu nome  proveio certamente também o título de Casal Capitão por que hoje se chama esse lugar.
  A capela dos Pousos e mais tarde igreja, da qual dependemos durante mais de dois séculos, é de fundação muito mais recente. Foi, segundo parece, feita e dotada pelo  Padre António Vieira que fora Beneficado na cidade de Leiria, no ano 1636, portanto, provávelmente mais de um século depois das de Santa Eufemia e Santa Marta
No que respeita à fundação e existência de outras capelas circunvizinhas temos conhecimento do seguinte:
A do Casal Martelo( junto a quinta do Martelo) que fica antes do Souto do Sirol, dedicada a Stª Madalena, foi feita e dotada por pessoa particular no ano de 1628.
Junto à Lagoa da Longra, existiu também uma capela dedicada a S. Bartolomeu, feita e dotada por Diogo de Leão, habitante da cidade de Leiria e onde se celebrou missa pela primeira vez em 1654. Com certeza que o nome para o lugar Leão proveio também do nome deste benemérito.
Sabemos ainda da existência de uma capela particular na Caxieira e outra na quinta do Sirol dos Barbas( quinta de St.ª Eufemia).
Em 1545, a pedido do nosso rei D. João 111 e, daípor diante, deixámos de ser governados religiosamente pelo Moeteiro de Santa Cruz de Coimbra:
Até esta data não encontrámos nenhum documento que relatasse algum facto da nossa terra em particular. mas, já temos notícia de que no ano de 1567 a nossa capela de St.ª Eufemia e a de St.ª Marta foram visitadas pelo seu Bispo então D. Gaspar do Casal.
Toda esta área que hoje forma as freguesias dos Pousos, Barreira, Azoia, Parceiros e Barosa pertencia ainda a freguesia de S Pedro de Leiria no ano de 1713, tendo então a freguesia dois párocos, um para cada lado do rio Lis. A parte de cá já então se chamava repartição do Sirol.
Entetanto,em 28 de Dezembro do mesmo ano, a capela de Nossa Senhora do Desterro dos Pousos foi elevada a paróquia por uma provisão do Bispo D. Álvaro de Abranches, passando para ela a freguesia de S. Pedro de Leiria. Á freguesia dos Pousos pertencemos, pois, desde então até á fundação da nossa paroquia...........
  Mais tarde surgiram as invasões francesas que, embora violassem e roubassem quase todas as igrejas e capelas por onde passaram, deixaram ilesa a capela de Santa Eufemia, não sabemos porquê, talvez que pela sua humildade e singeleza. Mas, dentro de toda essa mesquinhez e simplicidade, ela e os seus vizinhos encerraram o germe que mais tarde havia de desabrochar e produzir os seus belos frutos. Desde há muitos anos que a capela tinha missa dominical para os fieis  ali cumprirem  o Santo Preceito, sendo seus últimos capelães o Rev.Cónego Manuel do Carmo Góis até ser nomeado pároco de Monte Redondo a 8 de Dezembro de 1936 e Sua EX.ª o Senhor Cónego João Pereira Venâncio até à data da criação da freguesia. Com a presença e actuação do Primeiro, o povo recebeu boa formação religiosa, continuada, como não podia deixar de ser, pelo segundo. Sendo assim, além da aspiração deste povo a fim de se criar a freguesia canónica, sobretudo, muito exultou e se esforçou para ter aqui o Santíssimo  Sacramento permanente.
 Dos apontamentos particulares do Rev.Pª José Carreira, quando ainda seminarista, consta o seguinte que passo a transcrever: 30 de Setembro de 1928--Neste dia veio Nosso Senhor Sacramentado para Santa Eufemia, pelo que houve un tríduo preparatório pregado por  sua Ex.ª Rev.ª o Senhor D. António Antunes, Bispo de Coimbra. A missa que inaugurou a permanência do Santissimo, foi celebrada pelo Senhor Prior dos Pousos Rev. António Antunes de Faria.

Nos cinco dias de tríduo, festa e 2ª feira seguinte, comungaram mais de 1.000 pessoas, tendo os povos neste ano dado suas esmolas para uma linda imagem do Sagrado Coração de Jesus, escultura do conhecido artista Ferreira Tedim, esta foi benzida e exposta ao culto neste dia.
 Ao meio dia houve missa cantada e exposição do Santissimo Sacramento com algumas horas de adoração e procissão eucaristica. À tardinha, quando o sol  se escondia e as Benditas Almas, atormentadas pela dor mais nos convidavam a secorrê-las, fomos ao novo semitério assistir à bênção do sagrado chão que, tempos em fora, havia de receber os nossos corpos inanimados. O povo cantou o responsório--"" Libera me Domine""
  O senhor prior Antunes  Faria também presidiu a este acto lembrando ao povo o dever que temos de orar pelos nossos irmãos defuntos. Já ali haviam sido sepultados: José Ferreira Vicente, avô materno dos cinco padres Antunes, falecido a 16 de Agosto de 1928;um rapaz chamado Júlio, do lugar da bregieira, e um "anjo" de um lugar da freguesia que já me não recordo.
  O povo retirava-se agora para suas casas, já de noite, com a alma cheia de alegria pelas Benções do Senhor que , desde hoje, ficará para sempre perto de nós para houvir as nossas suplicas e perdoar nossas faltas -A final de contas  somos mais velhos do que pensávamos..... Não obstante os dados do último numero,encontramos mais uma achega. Santo Deus!... só nos falta chegar ao tempo de D. Afonso Henriques!...Iremos para aqui, que é bastante.
O Couseiro" capitolo 88ª, pag 143 e 144  fala-nos---"De outras Confrarias  de Defuntos " dizendo-nos:" No lugar da Barosa havia uma como a de Rigueira de Pontes, tinha mais por obrigação dar de comer, por conta dos bens do defunto aos confrades, que o acompanhavão, e não lho dando não erão obrigados a rezar-lhe as orações, que é costume; o que se emendou na visita de 1542; tinha renda e ainda   se conservava a confraria. 


Continua



 

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