A Caranguejeira e Santa Eufêmia

casa e moinho do snr José MoleiroComo substituto deste capítulo, poderíamos escrever:
:" Uma ferida que levou anos a cicatrizar". Falamos da criação da nova Freguesia de Santa Eufémia e consequentementemente de alguns lugares cedidos pela Caranguejeira.
Um grupo de pessoas de Santa Eufémia Eufémia desde 1928 vinha pugnando pela criação da nova Paróquia ou sua erecção canónica.
D. José Alves Correia da Silva, Bispo de Leiria, por Provisão de 29 de Janeiro de 1946, criou Santa Eufémia como paróquia canónica.
A Freguesia civil de Santa Eufemia foi criada a 7 de Fevereiro de 1928, pelo Decreto nº 15:009, publicado no Diário do Governo / Série-Numero 295,
Sábado 22 de Dezembro de 1928. Lemos o referido Decreto nº 15.009
Atendendo ao que foi representado pelo Governador Civil de Leiria quanto à criação das freguesias administrativas da Boa Vista e Santa Eufêmia.
Considerando que com a criação destas duas freguesias do concelho e distrito de Leiria se satisfaz a vontade e criadas condições dos povos e se atendem as suas comodidades.
Considerando finalmente que tanto as freguesias criadas como aquelas de que são desanexadas ficam a satisfazer as condições legais ...

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Hei por bem decretar, para valer como lei o seguinte:
Artigo 1º.
São criadas duas freguesias no concelho de e distrito de Leiria : Freguesia da Boa Vista e freguesia de Santa Eufémia com a área e as povoações constantes dos parágrafos seguintes:
& 1º A Freguesia da Boa Vista....
& 2º A Freguesia de Santa Eufémia, com sede na povoação do mesmo nome abrangerá as povoações de Quintas do Sirol, Figueira do Outeiro, Bregieira, Caxieira, Casal da Ladeira, Apariços,Val da Garcia, Ferreiros, Souto de Baixo, Casl do Capitão e Lapedo, tendo por limites: a oeste a linha de água a este dos Andrinos e a estrada nº63 que liga Leiria com Pombal, até ao Marco do Abegão; a norte uma linha que do Marco do Abegão ligue com o açude da Pedra, seguindo o Ribeiro que corre entre a fonte do Ouleiro e a Figueira do Outeiro até ao extremo da actual freguesia dos Pousos; a leste a linha que segue o antigo limite da freguesia dos Pousos até ao Carrapital e daqui passando a este do Souto de baixo até a Cruz de Melo; e a sul pela linha de água que, saindo da Cruz de Melo, vai ao ribeiro do Sirol, seguindo daqui em diante o mesmo ribeiro do Sirol..

Podemos dizer que não foi pacífica esta separação. A Caranguejeira como mãe de alguns fogos do Souto de Baixo, fez sentir às Autoridades, o seu pensar. Ainda nos lembramos, passados alguns anos, das reacções do povo e de algumas manifestações pessoais e de rua!
Para melhor vivermos este passado, vamos dar a palavra à Junta de Freguesia da Caranguejeira. Em 4 Actas, fala-nos da situação. Duas Actas são de 1927. Uma Acta é de 21 de Agosto de 1929. A outra é do dia 10 de Maio de 1946!
Vamos transcrever estas Actas, no essencial, referente à novel freguesia.

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2- As reacções da Caranguejeira

Na sua Sessão de 21 de Fevereiro de 1927, a Junta de Freguesia da Caranguejeira, decide enviar um protesto ao Exmo Sr Governador integrar indivíduos referido divergências comissão Civil sobre a criação da freguesia de Santa Eufemia e passagem do Lugar do Souto de Baixo para a referida Freguesia, ficando a Caranguejeira, mesmo com o lugar do Souto de Baixo com" 730" habitantes quando deve ter 800".(Acta 21 Fev.1927 fl 144v.
A 6 de Junho 1927, a mesma Junta delibera enviar um Ofício ao Sr. Governador Civil para não integrar o lugar do Souto de Baixo na Freguesia de Santa Eufémia porque:
"na sessão ordinária de seis do corrente compareceu uma comissão constante de doze indivíduos do souto de Baixo, representando o povo daquele lugar, informando que o mesmo povo do referido lugar não quer pertencer à freguesia iniciada de Santa Eufêmia e em vista da má vontade e nos termos da Lei nº 621 art. 3 do Código Admistrativo, pede-se que tal mudança se não faça para evitar divergências d`entre os povos...(Acta 6 de junho 1927,fl.148 e v.).
E a Junta de Freguesia continua:
Rochedos do LapedoActa da sessão Nº5
Acta da sessão Ordinária de 21 de Agosto de 1929 Cândido Pereira Rodrigues e Manuel Rodrigues, reunidos Comissão e aberta a sessão, foi lida e aprovada a acta antecedente. Nesta sessão foi delibera, proceder-se ao serviço braçal em todos os Lugares da freguesia , excepto no lugar do Souto de Baixo, porque este lugar sendo desanexado da nossa freguesia e anexado a freguesia de santa Eufemia prejudicou-nos em mais de vinte fogos mas sendo este lugar dividido e demarcado pelas autoridades.
Comissário da Polícia, demissionários ficou pertencendo parte dos fogos à freguesia de Caranguejeira e parte a Freguesia de Santa Eufémia. A junta da nossa freguesia concordou com a divisão; mas os consignatários da freguesia de Santa Eufemia tornando-se exigentes não querem concordar com ela, e protestam subjugar o restante dos fogos que ali existem e que nos pertencem. Há nestas duas freguesias, grandes divergências, motivadas pelos resisto de nascimentos e óbitos, que nesta freguesia se tem feito divergências que só acabarão com a comparencia de V.Ex.ª no local da questão.......... Mas se comunica a V.Ex.ª que pelo Exmo. Senhor Conservador do Resisto Civil foi dito, que consegui-se a Junta desta freguesia um oficio de Vxª., que indique a divisão naquele lugar para tudo estar bem. Sendo V. Exª o S.r Governador Civil, que trabalha do coração para o engrandecimento de todas as freguesias do seu distrito e que coadjuva a todos com a sua benevolencia quando alguns favores lhes vão pedir também eu venho com a devida vénia pedir a V.Exª. Se digne comunicar-me qual o dia e a hora que pode comparecer no referido lugar do Souto de Baixo, para bem examinar e ponderar a divisão que ali se acha feita e depois dos assuntos resolvidos se verá a justiça e o direito que nos assiste, e pedindo também o engrandecimento da nossa freguesia. Foi resolvido enviar-se cópia desta acta ao Sr Gov. Civil..

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A Junta da freguesia de Caranguejeira e os povos desanexados desta, antes da criação da freguesia referida, manifestaram, a quem de direito, ao Sr. Gov. Civil de Leiria, o seu desagrado pelo boato que então corria", que as supra ditas povoações passariam a fazer parte da nova freguesia que está a ser criada, mesmo contra a sua vontade". Cometeu-se a injustiça pois que se impôs, pela força da lei àquelas povoações a saída desta freguesia de Caranguejeira. Os povos desanexados nunca se conformaram com o facto consumado e têm, por várias vezes, procurando solucionar o assunto formulando reclamações às respectivas autoridades a fim de que os povos desmembrados desta freguesia voltem, de novo para ela.
Até este momento ainda não foi resolvida a questão, Porquê? Não sabemos. Há sempre oportunidade para reparar uma injustiça, para remediarr, na medida do possível, o mal feito. Estamos certos de que o Estado Novo não deseja ser conivente numa situação que causa arrelias, dissabores, prejuízos e mal crenças. Os povos em referência, mais uma vez, apelaram para quem pode ouvi-los e estamos convictos de que justiça lhes será feita. Os documentos enviados em mil novecentos e vinte sete, ao Sr Governador Civil de Leiria, os apresentados, em mil nove centos e vinte e nove, no Ministério do Interior e os entregues, há pouco tempo, ao actual Sr Governador Cvil de Leiria, são prova concludente da razão que assiste aos impetrantes. Apesar de tudo constou, particularmente, à Junta de minha presidência que a digna Junta da freguesia de Santa Eufemia pedira oficialmente que não fosse tomada em consideração o pedido de desanexação dos lugares de Casal Capitão e Carrasqueira. Afirmamos e provamos, Senhor Ministro, que o lugar de Casal Capitão não existe e nunca existiu como tal. Existe sim uma casa que faz ou fez parte duma propriedade particular, dum casal, que pertenceu, em tempos remotos, a um senhor Capitão e daqui veio o nome de" Casal do Capitão". A digna Junta de Santa Eufemia procura baralhar e intrigar para para levar a água ao seu moinho. Deseja fazer do lugar de Souto de Baixo, propriamente dito, onde existe uma Capela denominada < santa Marta" aberta ao culto e quem tem sido mantida e conservada às expensas dos povos em questão, deseja fazer, repetimos, o tal lugar de Casal do Capitão para ficar assim, sendo satisfeito os seus desejos, na posse da dita Capela que a nova freguesia bastante cobiça. Para prova de que o Casal do Capitão não existe, como está na mente da Junta da freguesia de Santa Eufemia, juntamos a esta exposição ou esclarecimentos , as certidões de nascimento dos indivíduos que se dizem naturais e residentes do dito lugar de Casal do Capitão, lugar próximo do lugar de Caranguejeira.
É um Vale" escavado " pela Ribeira da Caranguejeira que em virtude das suas vertentes aprumadas chegarem a atingir os 80 metros se diz que estamos perante um "canhão".Outra imagem do Lapedo

O vale estende-se por cerca de 1,5 km. e situava-se até 1928, data da criação da Freguesia de Santa Eufemia, totalmente na área da Freguesia de Caranguejeira. Actualmente as duas freguesias dividem entre si o vale, ficando o local do achado arqueológico na área pertencente a Santa Eufemia"...
A tempestade, feita por Santa Eufemia, começou, só por causa destas palavras acima citadas. Quem se exaltou, penso, não fez bem a leitura do texto e reagiu, exprimindo um sentimento de posse assaz restritivo. O texto é muito claro. O seu sentido cronológico, está patente nas ultimas palavras:..."
O vale ... situava-se até 1928, data da criação da Freguesia de Santa Eufemia, totalmente na área da Freguesia da Caranguejeira. Actualmente as duas freguesias dividem entra si o Vale, ficando o local do achado arqueológico na área pertencente a Santa Eufemia" Nem se trata de " uma eventual gafe"!
Sem demora , Santa Eufemia pela pena da sua Junta de Freguesia responde usando o Jornal Paroquial " Mais Além", nº 398 de 15 de Junho de 2000 sobe este título:
"Santa Eufemia reclama Menino do Lapedo" procurando repor a verdade histórica que denota não ter havido no Jornal de Leiria de 18/05/2000. Eis o texto:
O projecto para a elevação da Caranguejeira a vila, apresentado pela junta de Freguesia local na última Assembleia Municipal de Leiria, suscitou indignação na Freguesia de Santa Eufemia. Na introdução do documento está escrito que a localidade é "possuidora de um rico património arqueológico, histórico e cultural (...). São prova disso os vários achados arqueológicos encontrados, desde o chamado" Menino do Lapedo, com aproximadamente 25 mil anos, à vila romana" (...)

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Os responsáveis pela Junta de Freguesia de Santa Eufemia têm efectivamente razão, já que o sítio arqueológico onde o "Menino do Lapedo" foi encontrado está na verdade, em território da sua freguesia "O vale do Lapedo foi dividido entre duas localidades, em Diário do Governo de 7 de Fevereiro de 1928; decreto nº 15.009, tendo a maior parte do canhão ficado na freguesia da Caranguejeira "argumenta Adelino Gaspar, presidente da Junta de freguesia de Santa Eufemia.
Por seu turno, Joaquim Carreira Monico, presidente da Junta de Freguesia da Caranguejeira, reconhece uma "eventual Gafe" no entendimento do documento ". Mas adianta que na terceira página se refere que o sítio arqueológico fica em território da localidade vizinha.."O documento está escrito cronologicamente, já que foi feito para historiadores. Quando se fez a descoberta, alguns jornais nacionais apontaram o Lapedo como pertencente à Caranguejeira, mas na altura em que o ministro da Cultura visitou o local ambas as freguesias tiveram o cuida do de rectificar a informação" recorda Joaquim Mónico.Lapedo e os seus rochedos

Adelino Gaspar está contudo pouco convencido com o argumento " cronológico" E alega que o documento não foi lido, a quando a sua apresentação na assembleia Minicipal, o que possibilitaria a detecção e correcção da "Gafe". O documento com o projeto de elevação a vila da Caranguejeira é um assunto cutural, tal como o é o Menino do Lapedo. Não somos obrigados a fazer interpretações cronológicas, se não temos indicações para isso", entende o autarca ( do Jornal de Leiria, de 18/05/2000).
Tudo estará entendido. Tudo está já, "no seu dono", desde longa data! Desde 1928! Não vamos instaurar, no Lapedo, a questão de Olivença! Vamos promove, dignificar e preservar este espaço que Deus dotou de beleza impar!
Vamos respeitar as linha ou limites das Freguesias, deixadas pelos nossos predecessores. Sehá duvidas, vamo-nos sentar à mesa e esclarecer tudo. Para isso, Deus deu.nos uma língua para falar e dois ouvidos para ouvir.Para escutar
Não podemos concordar com o acto de vandalismo praticado, cobardamente, por alguém, contra a Placa Toponímica da Caranguejeira colocada no Casal Martelo, a dar as boas-vindas a quem chega.
A Placa, alo colocada pela Junte de Freguesia da Caranguejeira, foi partida no seu pedestal ou suporte e lançada alguns metros metros para traz, na direção da Opeia! Atirada para cima do mato, assim ficou na berma da estrada!
Quem fez, ou mandou fazer este acto de hipócrita e carregado de malvadez?
No ano 2001, há coisas que é feio fazer! Esta é uma delas!

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Moinho de José do Casal

Este Moinho está construído sobre extensa rocha calcária, comum a todo o Lapedo. A larga represa, onde bebem os cubos e a extensa vala, larga e funda, por onde passa a água, falam -nos da grandeza deste Moinho. Trabalhou anos a fio. Está rodeado de anexos habitacionais, moradia e palheiros. A parede sobre a qual passam os cubos e a saída da água, tem uma beleza particular. A pequenez das janelas, as paredes meio rebocadas e as paredes vestidas de musgo, dão-nos a sensação de equilíbrio e bom gosto.

O moinho possui Dois cubos e duas mós. Um terceiro cubo e uma terceira mó, foi-lhe acrescentada posteriormente, pelos proprietários. Sobre um dos cubos, pudemos ver a entrada " uma flecha", formada pelas duas lajes.

A vala de água, corre ao longo do sopé da encosta do Lapedo.

Em 1998, o moinho deixou de trabalhar. O Cândido, seu proprietário falecera. As silvas, logo tomaram conta de tudo. Em 1999, a foice roçadora e as máquinas, entraram a matar. O terreno ficou liberto de muitas ervas daninhas, permitindo admirar todos os recantos deste belo moinho.

A saída da água faz-se por um portal, encimado por arco romano.

Nas janelas, ainda podemos ver a cor azul dos caixilhos. É lindo!
Do lado da Ribeira, os campos férteis. Do lado poente, a encosta vestida de oliveiras, pinheiros e mato, donde espreitam os penedos, como como prédios alinhados duma avenida. Aqui começa a beleza do Lapedo, com seus tesouros escondidos!

Vamos conservar este moinho, a eira e o palheiro. Este, assente em quatro colunas redondas, um pouco ao lado da eira. AS colunas são tecidas com pedra da região, pequenas umas, outras maiores. São raros estes palheiros, na nossa freguesia. Cobertos com telha de canudo, guardam o pasto, crutos e erva, em ripado inclinado, do tecto ao chão. O ripado assenta sobre quatro pedras, permitindo uma ventilação eficiente.

Nota: Capítulo xxv monografia,Freguesia Sâo Cristóvão da Caranguejeira 1142/2000
Parte do texte e algumas fotos aqui representadas foram tiradas do mesmo livro.

Pe João Carreira Mónico


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