Descritivo histórico

Freguesia de Santa Eufémia

A 7 de Fevereiro de 1928 era criada a freguesia civil de Santa Eufémia, constituída por povoações desanexadas das freguesias de Caranguejeira e de Pousos. No lugar de Lapedo, existia o conhecido vale do mesmo nome, onde a obra da natureza se desenvolveu durante milhões de anos até alcançar resultados verdadeiramente surpreendentes.
O vale do Lapedo foi escavado pelo curso de água que deu origem à actual ribeira da Carrasqueira, numa área de calcários não muito duros (Calcários do Ceno-maniano-Turoniano), em tempos geológicos que ascendem à Era Quaternária.
No início deste século Francisco Pereira de Sousa escreveu: “A estrada de Leiria à Caranguejeira margina, pouco depois de passar por Santa Eufémia, ribeira da Carrasqueira, que desde Lapedo até Grinde era um curioso “Canyon” aberto no Cretácico superior, de cerca de 100 metros de profundidade, e em que as bancadas calcárias fazem sacada sobre as suas vertentes. A ribeira já corre em camadas geralmente carinhosas do Cretácico médio, mas encontram-se de vez em quando no seu leito grandes blocos de calcário que se têm despenhado das vertentes em resultado do desaparecimento das camadas que lhe são inferiores pelo trabalho constante da erosão. Ao percorrer-se esse vale, custa acreditar como as tranquilas águas que se ouvem murmurar tenham desempenhado um trabalho tão colossal. É o mais curioso “canyon” aberto no Cretácico superior que conheço no País”.
Se a natureza, desde cedo começou a trabalhar no território actual da freguesia, também o homem não lhe quis ficar muito atrás. Embora com uma diferença de muitos milhões de anos, o homem aqui chegou e se estabeleceu, em eras muito remotas que ascenderão ao final da Idade do Ferro, aí por volta de 1500 a.C.
Disto nos fala a estação arqueológica do Castro, situada no lugar do Souto e, a única que se conhece em todo o concelho. Ligada à civilização do ferro, desde o século X que se fora desenvolvendo em Portugal uma civilização castreja que erguia povoações fortificadas no cimo dos montes: castros, cratos ou citânias. 
Esses sítios eram escolhidos pelas suas condições de defesa e aqui na freguesia não passou despercebido esse local que reunia as características necessárias para a fundação dum povoado, o que veio a acontecer. Desse alto dominava-se os vales circundantes, constituindo portanto uma excelente posição estratégica. Como testemunho dessa presença humana foram aqui encontrados fragmentos de recipientes cerâmicos, de pastas grosseiras e mal cozidas, uma mó manual e um machado ou enxó. 
Da presença romana, dos povos que se lhe seguiram e da época da reconquista até D. Dinis nada há que nos fale da freguesia. É durante este reinado que aparece uma carta de escambo datada de 14 de Dezembro de 1290. Através dela o monarca faz com Rodrigo Anes a troca de uma herdade “por outra na ribeira do Sirol”. 
No ano de 1363, D. Pedro I doa à sua criada Beatriz Dias a sua quinta do Sirol, sita no termo de Leiria e essa doação ficará a valer “para sempre a ella e a todos os seus sucessores. Com D. Afonso V a 17 de Junho de 1448, faz-se o “aforamento de uns bens de casas, olivais, marinhas e uma quinta que chamam do Sirol na vila de Leiria e seu termo a Diogo Álvares”. No século seguinte, em 1577, há uma doação de vários bens ao Convento de Santo Agostinho, entre os quais figuravam “um casal no Sirol e o moinho no Lapedo”. 
O "Couseiro" escrito por volta de 1636 dá-nos indicações preciosas da vida religiosa de vários dos lugares da actual freguesia de Santa Eufémia. Quanto à ermida da invocação desta santa refere-se que “os vizinhos a fabricaram porque foi também mandada fazer para a administração dos sacramentos; é antiga e foi visitada no ano de 1567”. Se houve nesse ano uma visitação, a que muitas outras se seguiram, é porque a capela já existia desde há algum tempo. Crê-se que a sua fundação tenha ocorrido entre 1500-1530, apesar de haver dados que permitem outras conjecturas. 
Dr. Luciano Cristino diz que em 1431 já existia a “ermida de Santa Effemea de Cirol” e o "Couseiro" fala de uma confraria instituída no ano de 1264. A crer nestas últimas palavras e partindo do princípio que não poderia existir uma confraria sem haver uma capela, é legítimo pensar que esta já pudesse estar edificada naquele ano.
Do que não há dúvida, é dos dezoito anos que o povo, da então já freguesia civil de Santa Eufémia, teve de lutar para conseguir elevação canónica. Até que a 29 de Janeiro de 1946 o bispo de Leiria concedia autorização para a criação da freguesia eclesiástica.
Passados precisamente vinte anos e um dia foi benzida e lançada a primeira pedra da nova igreja que seria inaugurada a 8 de Dezembro de 1968. O novo templo viria mais tarde a acolher a imagem de Santa Eufémia que existiu na primitiva igreja. Escultura de pedra, é uma belíssima peça quatrocentista da autoria de um mestre erudito
Santa Eufémia embora seja uma freguesia criada há poucos anos é antiga na sua história.
A pesar de não se terem encontrado vestígios de grande envergadura da época em questão, há índices que podem confirmar ou a virem confirmar a presença dos romanos na zona de Santa Eufémia. Quando estavam a abrir os alicerces para a construção da nova igreja paroquial foi descoberta uma moeda romana, mas que devido ao seu estado de deterioração avançada não foi possível fotografá-la.
Escoural, aqui este local, provavelmente, poderá albergar vestígios de uma época em que ali havia uma actividade outra que rural. Ainda hoje se encontram no local algumas escórias de ferro, que nos dá a entender que ali já existiram fornos de fundição, onde por vezes cai metal em fusão, ou o resultado de altas temperaturas a que estão sujeitos os fornos, todavia não se sabe ainda. Foram também encontrados fragmentos de cerâmica, dizem respeito a pedaços de telha de canudo ou curva. Tem como particularidade: são decoradas com os dedos, em serpenteado e são de extraordinária espessura, cerca de 2cm. Estas duas características, segundo o Dr. Ruivo indicam bastante antiguidade. Contudo não permitem afirmar que a telha é romana, já que este tipo de material sendo vulgar naquela época, também era utilizado durante parte da idade média. Desta maneira não se pode ainda afirmar com toda a certeza que a nossa terra, em particular o Escoiral, fossem habitados pelos romanos, só pelo aparecimento de uma moeda e fragmentos cerâmicos. Tem que aparecer outras provas, tais como: mais moedas, pequenas pedras de mosaico ou até de fragmentos de pavimento mosaico ou ainda pesos de tear de forma paralelepipédica. Até lá devemos ser cautelosos na atribuição de datas


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