Dia de S Martinho Vai-se à adega e prova-se o vinho


Magusto (S. Martinho
)

 

Adega de vinhoEm Portugal, o Outono e a chegada definitiva do tempo frio são comemorados no dia 11 de Novembro, Dia de São Martinho. Neste diaCastanhas assadas, um pouco por todo o país, comem-se sardinhas, assam-se castanhas, bebem-se vinho novo e água pé e, em alguns pontos do país, ainda há quem reuna familiares e amigos à volta de uma fogueira ao ar livre... Mas poucos são aqueles que sabem qual o real significado do Dia de São Martinho, ou mesmo o que é o água pé... Começando pela história de São Martinho, reza a lenda que, "num dia tempestuoso ia São Martinho, valoroso soldado romano, montado no seu cavalo, quando viu um mendigo quase nu, tremendo de frio, que lhe estendia a mão suplicante... S. Martinho não hesitou: parou o cavalo, poisou a sua mão carinhosamente na do pobre e, em seguida, com a espada cortou ao meio a sua capa de militar, dando metade ao mendigo. E, apesar de mal agasalhado e sob chuva intensa, preparava-se para continuar o seu caminho, cheio de felicidade. Mas, subitamente, a tempestade desfez-se, o céu ficou límpido e um sol de Estio inundou a terra de luz e calor. Diz-se que Deus, para que não se apagasse da memória dos homens o acto de bondade praticado pelo Santo, todos os anos, nessa mesma época, cessa por alguns dias o tempo frio e o céu e a terra sorriem com a benção dum sol quente e miraculoso." É o chamado Verão de São Martinho! O costume do Magusto, que tradicionalmente começava no Dia de Todos-os-Santos, é simultaneamente uma comemoração da chegada do Outono e um ritual de origem religiosa: o dia do Santo Bispo de Tours (São Martinho) está historicamente associado à abertura e prova do vinho que foi feito em Setembro. O água pé é o resultado da água lançada sobre o bagaço da uva, donde se retirava o pouco de mosto que aí se mantinha. Esta bebida pode ser consumida em plena fermentação ou, depois disso, adicionando-lhe álcool. Assim, diz o ditado popular "no dia de S. Martinho vai à adega e prova o vinho". No fundo, com o São Martinho e o Magusto comemora-se a proximidade da época natalícia, e mais uma vez, a sabedoria popular é esclarecedora: "dos Santos até ao Natal, é um saltinho de pardal!"


A consuada

Esta velha tradição, repete-se todos os anos, no mesmo dia. É uma refeição familiar, em volta do bacalhau, das batatas e couves. As nossas consoadas familiares coincidiam com a matança do porco e com a morcela da. As famílias combinavam entre si o dia da matança do porco iniciava-se no mês de Dezembro até Fevereiro. Hoje em dia tudo é mais acelerado, sinais dos tempos. Com o aparecimento dos frigoríficos e arcas congeladoras, a morcelada pode fazer-se em qualquer altura do ano. Assim a morcelada pediu o seu carácter tradicional para dar lugar à consoada dos nossos dias

Dia dos finados

No dia 1 de Novembro, além do Bolinho, celebramos o dia de todos os Santos.
CemitérioNo dia 2 de Novembro é o dia dos Fiéis Defuntos. Dia de oração e recordação para aqueles que já deixaram o convívio dos vivos. Neste dia, há a tradição de ir ao cemitério, após a Missa da manhã. Na semana anterior limparam-se as campas e tirou-se toda a erva que teimosamente, persiste em crescer. Tudo é limpo e asseado e enfeitado com flores novas e frescas.
No dia 2 de Novembro o Senhor Prior vai ao cemitério. rezar por todos os paroquianos falecidos. Hoje os nossos cemitérios estão mais zelados graças à responsabilidade das pessoas e ao esforço da Junta de Freguesia.
Defunto, é uma palavra que vem do latim do verbo defungor que em Português de defunto, morrer, cumprir, terminar.
Finado significa morto, pessoa falecida, aquele que chegou ao fim do seu limite, o mesmo que defunto.

Cemitério quer dizer dormitório
A limpeza do cemitério, é um dos sinais pelos quais podemos averiguar o grau de educação, fé e respeito que existe numa comunidade paroquial.

O bolinho

Bolinho dos adultosNa nossa freguesia o Bolinho é uma tradição e festa dos pequenos e dos crescidos digamos de todos.
As crianças andam de manhã, de saca na mão, correndo de casa em casa apregoando: Ó tia da Bolinho? Em muitas terras de Portugal, este dia é chamado o dia o "pão por deus" na nossa terra sempre se manteve o mesmo nome " dia do Bolinho".
Maistarde e no mesmo dia os adultos seguiam os passos dos pequenos, Os adultos, ninguém leva saca. Ninguém espera receber. Mas todos esperam comer e beber divertir-se .juntam-se em grupo de porta em porta pedindo o bolinho. pedem apenas. Procuram conviver e semear alegria e música naquela tarde. Por sua vez o senhor da casa retribui o que tradicional neste dia, em pratos, bandejas e travessas: tremoços, pevides, passas de figo, azeitonas e fatias de bolinho. Tudo com abundância.
Este aperitivo, tão amigo como familiar, ajuda a criar lastro para provar o vinho novo, a água-pé e o abafado
O grupo recebido na eira, à entrada da casa ou no pátio é de imediato conduzido para a adega. grupo anuncia-se pelos seus cantares populares e instrumentos musicais, alguns improvisados. À luz pálida do candeeiro vão dando vivas ao tinto novo que num trago, vai empurrando os frutos secos já bem ensalivados... boa disposição em geral...
Bolinho é um pequeno pão de formato arredondado, doce e de família dos bolos. É confeccionado em casa, pelas senhoras e cozido no forno aquecido a lenha. Na composição do bolinho entram os seguintes ingredientes: farinhada trigo, açúcar, canela, ovos e frutos secos (nozes, passas de uva, pinhões, amêndoa ). No fim de cozido no forno há quem passe um pano embebido em azeite, sobre em cada bolinho, tornando-o mais brilhante e apetitoso ao paladar. Outros para o mesmo efeito
Cansados mas contentes, os adultos regressam a casa. Já noite avançada, Alguns cambaleiam, grossos e carregados, Outros alegres e reinadios. Todos vão a procura do descanso. Recuperar o perdido. O dia seguinte é dia de escola. Dia de pica boi! Dia de trabalho.

Esta tradição tem sempre lugar no primeiro Domingo de Novembro. Para crianças e adultos.

bolinho das criançasAs crianças que correm e saltam pelas estradas e carreiros é-lhes dado o bolinho que consta do seguinte que consta do seguinte: tremoços, nozes, castanhas, passas de figo e de uva e dinheiro. O dinheiro, antigamente, era raro, Só alguns o davam.
Numa alegria contagiante, "javascript:window.frames.FSG_sugestoesIFrame.__FSGCALLER1Check.sHL(this,'eL_8',true)">saquita na mão e irmãozitos mais pequenos pela mão e ao colo vão gritandobolinho, em louvor de todos os santinhos?
O senhor ou senhora da casa Verifique se empregou uma vírgula ou um travessão entre o sujeito e o predicado. (sem sugestões) perguntavaquantos são? Os mais atrevidos acrescentavam, em sardinhanha class="Style4">- Ó tia dá bolinho... se não dá leva com a tranca no focinho? Saltavam para a estrada no fim da missa e assim andavam toda a manhã.
Hoje só se dá dinheiro aos miúdos que andam de casa em casa, a pedir o bolinho. Ficam contentes com o dinheiro a tilintar nos bolsos e o mealheiro a crescer.

Até aos 12 anos era a idade limite para andar com os miúdos. O seu bolinho não ia além do meio-dia! Muitos ficavam pelo caminho pela pouca idade e falta de resistência. Aceitava-se tudo o que davam. Quando numa casa se dava dinheiro, logo os miúdos passavam a palavra, dizendo!... vai aquela casa que vale a pena. Dão dinheiro!

Terminado o bolinho, fazia-se o balanço de tudo o que se recebia: dinheiro, tremoços, castanhas, laranjas, maçãs...separando cada coisa para seu lado. Era tudo entregue aos seus pais. Quanto mais numerosa era a família, maior o bolinho. Lembro-me de ver a maceira da broa cheia de tremoços, uma cesta cheia de bolinhos! Uma alegria! Havia comida para toda a semana. Tremoços com broa sobretudo!

O bolinho é na verdade, uma festa de encontro e de amizade, de partilha e alegria

Intrudo ou Carnaval

CarnavalO Intrudo ou Carnaval é uma festa em toda a freguesia.

A palavra Carnaval vem do latim da palavra " carne vale" que significa "Adeus carne" ou carne " levamen" , o mesmo que supressão de carne. O cristão católico, durante a quaresma abstém-se de comer carne. Outros fazem derivar esta palavra Carnaval de " Currus navalis " que era um cortejo em terra e no mar, feito na Grécia, 600 anos antes de Cristo. Daqui terá passado para Roma.

Ao certo não se sabe quando começou os festejos do Carnaval. Sabe-se que antes do cristianismo, já se realizavam festas e folguedos, para festejar o ano novo e a chegada da Primavera.

Estes festejos eram demorados e maldosos, nos ditos, danças, e trejeitos. O cristianismo esforçou-se para alterar estes costumes. Não conseguiu. E hoje muito menos. A descristianização progressiva dos meios de comunicação social, como a televisão,vidios etc, facilitam a visão e realização dos cortejos Carnavalescos, um pouco por toda a parte!

Para além de todo o exibicionismo licencioso, o Carnaval continua circunscrito a 2 ou 3 dias imediatamente antes da quaresma, período de sacrifício de caridade e de abstenção do uso de carne nas refeições.

Hoje, estas festas têm uma dimensão turística e artística mais acentuada: dar a conhecer à terra, a cidade, atrair visitantes e mostrar as potencialidades dum povo...

50 ou 60 anos atrás, dizia-se: Vamos jogar o intrudo Pequenos e grandes pela tardinha todos participavam, saindo à rua. Os mais medrosos devido as mascaras e roupas extravagantes, assistiam por detrás das janelas. Nos campos os trabalhos eram interrompidos, tudo se fazia na Terça-Feira gorda, antes da Quarta-Feira de Cinzas. No entanto, a festa começava no Sábado e no Domingo. Era o Domingo Gordo. Jogava-se o Intrudo só nos três dias gordos: Domingo, Segunda e Terça-Feira.

Não era permitido tirar a máscara a alguém ou revela-lhe a identidade. De resto, podia tirar-se ao vizinho o que se quisesse: esconder ou mudar de sítio. Era muito comum mudar os vasos de flores de umas casas para outras assim como os carros dos bois e até os animais trocavam de dono. Embora contrafeitos, tinham que aceitar.

Alguns cobriam-se com lençóis brancos, como fantasmas ou com roupas antigas: outros ousavam máscaras imitando caveiras, ligaduras chocalhos das vacas roupas mal feitas e velhas etc..Os rapazes vestiam-se de raparigas e as raparigas de rapazes, procurando disfarçar a voz. Embora houvesse liberdade os mascarados respeitavam as pessoas. Apenas assustavam e diziam: Entrudo Cartaxo peludo ou com cornos e tudo

Quaresma
Ao longo dos Domingos da Quaresma, o povo sabia o tema dos sermões e o conteúdo de cada Evangelho. Assim no primeiro Domingo era a Tentação, no Segundo as Bem-aventuranças; no terceiro Lázaro e no quarto, a Transfiguração. Aos Domingos na missa da manhã e das 11 a igreja enchia-se. A Via-Sacra e Oração eram ao domingo à tarde.
Na Quinta-Feira Santa, procurava-se trabalhar de manhã.
Na Quinta-Feira Santa, procurava-se trabalhar de manhã. De tarde era dia Santo, tempo para ir à missa. Na Sexta-Feira Santa ninguém trabalhava. Era Dia Santo de Guarda Ia-se à igreja paroquial assistir as cerimónias do enterro do senhor morto.

Sábado Santo, ficava destinado a limpeza das casas. Nestes três dias ninguém caiava a casa nem cozia a broa. Mas, o chão das casas, todo em soalho de madeira era lavado com sabão amarelo. Bem lavado com escovas e bem enxuto com panos.

Pascoa

Domingo de Páscoa , ou a Vigília Pascal, é o dia em que até mesmo a mais pobre igreja se reveste com seus melhores ornamentos, é o ápice do ano litúrgico. É o aniversário do triunfo de Cristo. É a feliz conclusão do drama da Paixão e a alegria imensa depois da dor. E uma dor e alegria que se fundem pois se referem na história ao acontecimento mais importante da humanidade: a redenção e libertação do pecado da humanidade pelo Filho de Deus.
Toda a paróquia assistia a Santa missa.

Visita pascal e folar. Durante a semana da Pascoa o Senhor Prior vinha "dar as boas festas e tirar o folar" . Na terça-feira depois da grande Festa da Pascoa . O Senhor prior com seus ajudantes seguem o homem da campainha e da caldeirinha com água benta e do saco com amêndoas e o saca vazia que há-de receber o folar em géneros ou dinheiro, assim vão de casa em casa, a quem lhe abrir a porta.
A família está reunida na casa de fora (como se dizia antes). O senhor entra na sala. Anuncia a Ressurreição do Cristo, asperge com água benta as pessoas que estão de joelhos na sala e diz. Boas Festas. Aleluia! o Cristo Ressuscitou em seguida dá a Cruz a beijar, começando pelos pais, atira alguns confeitos e amêndoas para o ar. As crianças rolam pelo chão em busca deste açúcar concentrado.
O folar cada um dá que pode. Por vezes se o senhor Prior entendia os donos da casa tinha necessita era ele que deixava algo no prato. Assim passando de em casa percorria os lugares todos da freguesia anunciado pelos foguetes que estrelavam no ar abençoando as casas e as famílias ali presentes.

A vida actual transformou esta visita numa correria e na ausência da família a visitar. Uma visita Pascal deve ser, antes de mais um encontro de pessoas ou famílias com o seu Pároco e não encontro do Pároco com casas vazias.

Nota: Capítulo xxv monografia,Freguesia Sâo Cristóvão da Caranguejeira 1142/2000
Parte do texte e algumas fotos aqui representadas foram tiradas do mesmo livro.

Pe João Carreira Mónico

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